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domingo, 10 de outubro de 2010

A matemática e o triangulo

Da Terra ao Sol e do Sol à lua pode-se imaginar instantaneamente um triangulo onde a hipotenusa é a distância entre o Sol e a lua.
Se escolhessemos como lua a mais distante no Universo entre todas as luas, veríamos claramente em nossas mentes que o arco prescrito entre nós e essa lua, se elevado ao quadrado, superaria em muito a soma dos quadrados dos catetos, ainda que o cateto maior, entre o Sol e a suposta lua, também não pudesse ser descrito senão como um arco e não uma linha reta.
O quadrado da distancia da Terra ao sol, adicionado ao quadrado do cateto entre o Sol e a lua, jamais seriam capazes de igualar-se ao quadrado de tal hipotenusa formando um triangulo.
Imaginariamente, sim. Na prática... jamais.
Ora, imaginariamente também eu posso descrever a relação entre eles da mesma forma como posso compreender-me único e centro de um único e meu Universo, idêntico em tudo, exceto em forma e números, aos de todos os demais e tenho convicção, absoluta, que posso demonstrar a quem quer que seja que esse meu Universo particular jamais - JAMAIS! - se verá livre de mim. Ainda que eu morra ou desintegrem-se todos os meus atos. Meus pensamentos, minhas sensações, meus movimentos e as ondas que produzi... eternas já se tornaram.... eternas já eram, apenas a elas acresci os meus movimentos.
Deliberados e nem tanto.
A matemática é uma ferramenta, e como todas, material e descartável, substituível e manipulável.
Com ela posso provar quem sou, quem fui e quem serei.
Sem minha mente... não posso provar nada.
Com minha mente... tudo o que sei é verdadeiro.
Tudo o que duvido é duvidoso.
Nada do que sinto é falso e nem de tudo o que sinto sei.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Blogueiro que não blogava

Um dia pensei: blogando todo dia jamais vou me tornar capaz de um dia confirmar ou cumprir tudo o que digo.
Então comecei a blogar.
Até que um dia.. ao perceber que blogando calava, calei-me.
E parei de postar no meu blog para blogar no blog dos outros.
E blogando no blog dos outros, o blogueiro não blogava.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Deus e o homem

- Eu sou Deus, disse o homem de casaco branco ao sem casaco.
- Prove-me, lançou-lhe em tom de desafio mais parecido com desacato que outra coisa.
O homem que disse ser Deus pigarreou, sorriu um sorriso moleque e devolveu:
- Você sabe quem é Deus?
- Ninguém sabe quem é Deus, retrucou desconfiado o outro.
- Eu sou Deus, repetiu o do casaco branco calmamente.
- Você me criou?
- Eu criei você, na minha mente.
- Então prove-me!
- Que queres que eu faça? Que aproxime o sol da Terra? Vai esquentar a Terra e o ar vai desaparecer. Que acha que vai acontecer com os teus irmãos?
- Podes separar as águas e os continentes.
- E quantas árvores ou sementes ou folhas ou algas, famílias inteiras, eu vou separar?
- Ué, podes ... trazer paz ao Universo. Porque os teus filhos ainda jogam crianças pelas janelas? Porque apedrejam seus semelhantes? Porque tanta tortura, tanto descabimento?
- Porque não crês em mim.
- Ué... e porque temos que crer em você? Você é um ser tão humano quanto eu.
- Porque se você se considerar Deus, como eu faço e assumo, não enxergarás mais à volta de ti tanta desgraça. A verá longe, e existirá enquanto todos os seres não obedecerem às minhas ordens.
- Ué, se pode dar ordens, porque não obriga os seus filhos a respeitá-las?
- Porque sou generoso. Não sou general.
O homem sem casaco olhou para o de casaco branco e não disse nada.
- Você sabe agora quem é Deus?, insistiu o de branco.
- É você?
- Sou eu.
- E eu?
- Te fiz igual a mim.
- Você me criou igual a você? Então te criei igual a mim e você saiu com defeito. Nâo criei meus filhos para se vangloriarem em meu nome e você deveria ser o primeiro a pensar assim.
- Perdão. Penso que os fins justificam os meios e me fazendo passar por Deus acabei ouvindo de ti a verdade. Somos tão iguais e únicos em nossas majestades aqui no Reino que acabamos nos esquecendo e até duvidando da nossa divina origem: a Criação.
O homem sem casaco olhou para o homem de branco, pensou, perdoou-o, e partiu.
O homem do casaco branco então de novo, e pensativo, encontrou-se sozinho.
...
Moral da história... qualquer um pode dizer-se Deus e safar-se impune.